A disputa comercial entre os Estados Unidos e a China entrou em uma nova fase em 2026, com a escalada de tarifas a níveis não vistos desde o início do século XX. O que começou como uma disputa por déficit comercial em 2018 transformou-se em um conflito multidimensional que envolve tecnologia, segurança nacional, propriedade intelectual e controle de cadeias de suprimentos globais.
O O Negócio Play reúne os principais fatos e dados desta disputa para contextualizar o leitor de forma objetiva e factual.
O Estado Atual das Tarifas
Em abril de 2026, as tarifas aplicadas pelos EUA a produtos chineses chegaram a 145% em média, segundo dados do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). Essa alíquota incide sobre uma cesta de produtos que inclui eletrônicos, veículos elétricos, painéis solares, aço e alumínio.
Em resposta, o governo chinês anunciou a elevação de suas tarifas sobre produtos americanos para 125%, segundo comunicado do Ministério do Comércio da China (MOFCOM) de 11 de abril de 2026. A medida afeta principalmente produtos agrícolas, aeronaves da Boeing, automóveis americanos e equipamentos industriais.
A Disputa por Semicondutores
O setor de semicondutores tornou-se o epicentro da guerra tecnológica entre os dois países. Os EUA expandiram, em março de 2026, a lista de restrições à exportação de chips avançados para a China, incluindo processadores da Nvidia e AMD com poder de computação superior a determinado limiar técnico.
A medida afeta diretamente o desenvolvimento de inteligência artificial e computação de alto desempenho na China. Empresas como SMIC (fabricante de chips chinesa) estão investindo em alternativas domésticas, mas analistas do setor apontam um déficit tecnológico de ao menos 5 anos em relação às tecnologias de ponta americanas.
A China, por sua vez, anunciou restrições à exportação de minerais estratégicos, incluindo gálio, germânio e grafite — insumos essenciais para a fabricação de semicondutores e baterias. O país controla entre 60% e 80% da produção global desses materiais.
Empresas na Lista Negra
Até abril de 2026, o Departamento de Comércio dos EUA mantinha 54 empresas chinesas em sua lista de restrições (Entity List), impedindo que empresas americanas vendam tecnologia ou serviços a essas companhias sem licença especial. Entre as listadas estão fabricantes de chips, drones, equipamentos de telecomunicações e empresas de inteligência artificial.
A China mantém uma lista espelho, chamada de "Lista de Entidades Não Confiáveis", que atinge empresas americanas que cumprem as determinações do governo dos EUA contra empresas chinesas.
O Impacto nas Cadeias Globais de Suprimentos
A disputa está forçando uma reorganização profunda das cadeias globais de suprimentos. Países como Vietnã, México, Índia e Indonésia têm sido os principais beneficiados pela estratégia de nearshoring e friendshoring — quando empresas transferem produção para países aliados ou geograficamente próximos de seus mercados finais.
- O Vietnã registrou um aumento de 38% nas exportações de eletrônicos para os EUA em 2025
- O México tornou-se o maior parceiro comercial dos EUA pela primeira vez em 2023, superando China e Canadá
- A Índia atrai investimentos de empresas como Apple, Samsung e Google para diversificar produção fora da China
O Impacto para o Brasil
Para o Brasil, a guerra comercial entre EUA e China cria tanto riscos quanto oportunidades:
Oportunidades
- Commodities agrícolas: Com a China reduzindo compras de soja americana, o Brasil reforçou sua posição como principal fornecedor global de soja para o país asiático
- Minérios: A demanda chinesa por minério de ferro e outras commodities brasileiras permanece alta para sustentar sua produção industrial interna
- Manufatura: Empresas buscando alternativas à China avaliam o Brasil como possível destino de investimentos industriais
Riscos
- Desaceleração global: Uma recessão nos EUA ou na China afeta diretamente o volume de exportações brasileiras e o preço das commodities
- Pressão cambial: A aversão ao risco gerada pela disputa fortalece o dólar e pressiona o real
- Componentes industriais: A escassez de semicondutores e componentes eletrônicos impacta a produção industrial brasileira, incluindo o setor automotivo
O Que Está em Negociação
Segundo informações divulgadas pela Reuters, representantes comerciais dos EUA e da China realizaram contatos preliminares em Genebra, na sede da Organização Mundial do Comércio (OMC), nos dias 16 e 17 de abril de 2026. Nenhum dos dois governos confirmou oficialmente o teor das conversas.
A OMC já registrou 28 disputas formais entre EUA e China desde 2018, com julgamentos pendentes em painel arbitral para várias delas.
Linha do Tempo: Os Principais Marcos
- 2018: Primeiras tarifas Trump sobre produtos chineses, início formal da guerra comercial
- 2020: Acordo de Fase 1 entre EUA e China, com compromissos de compra e proteção à propriedade intelectual
- 2022: CHIPS Act nos EUA destina US$ 52 bilhões para a indústria de semicondutores doméstica
- 2023: Expansão das restrições a chips avançados para a China
- 2025: Novo pacote tarifário americano e retaliação chinesa com restrições a minerais
- Abril 2026: Tarifas chegam a 145% (EUA) e 125% (China) — nível recorde
Esta matéria é de caráter estritamente informativo. O O Negócio Play apresenta os fatos e dados disponíveis em fontes oficiais e veículos de referência internacional, sem emitir posicionamento político ou opiniões editoriais sobre as políticas de nenhum dos países.

