Tecnologia

Expansão de Data Centers domina pedidos de energia no Brasil (ONS)

Levantamento revela que a infraestrutura digital e o processamento intensivo de dados exigem 7 GW de demanda, pressionando o Sistema Interligado Nacional (SIN), com forte concentração em São Paulo.

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Imagem: Expansão de Data Centers domina pedidos de energia no Brasil (ONS)
A nova corrida do ouro digital: Data Centers já dominam 88% dos pedidos de expansão elétrica no Brasil. Levantamento revela que a infraestrutura digital e o processamento intensivo de dados exigem 7 GW de demanda, pressionando o Sistema Interligado Nacional (SIN), com forte concentração no estado de São Paulo. A "nuvem" não flutua no ar; ela precisa de cabos, sistemas robustos de refrigeração e, acima de tudo, muita energia elétrica. Um recente levantamento da consultoria ePowerbay deixou claro que a expansão dos data centers se tornou o principal vetor de pressão sobre a rede de transmissão do país. De acordo com os dados, baseados na aplicação do Decreto nº 12.772/2025/noticia/expansao-data-centers-energia-brasil-ons, dos 43 pedidos formalizados recentemente no Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), 38 estão diretamente associados a projetos de data centers. Isso representa impressionantes 7 GW de demanda. O peso do mundo digital na infraestrutura física. Os números refletem a implementação inicial da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST), que reorganizou as regras para grandes cargas. A exigência de garantias financeiras atuou como um filtro rigoroso no mercado: dos 94 processos que tramitavam no Ministério de Minas e Energia, apenas 39 avançaram dentro do prazo e se desdobraram nas 43 solicitações atuais.Para se ter uma ideia da disparidade, os pedidos fora do segmento de data centers — que incluem projetos de hidrogênio verde, complexos industriais e mineração — somam apenas 258,6 MW. A diferença de escala comprova que a verdadeira disputa por capacidade de transmissão hoje tem nome e sobrenome: processamento de dados.São Paulo no epicentro do gargalo energético. A concentração geográfica é um ponto de alerta estratégico para o mercado corporativo. O estado de São Paulo responde por 20 das solicitações vinculadas a data centers, totalizando cerca de 3,9 GW. Isso indica uma pressão imediata e crescente sobre subestações e corredores de transmissão em uma região que já opera com alta carga.Os próximos passos regulatórios para o setor. Os projetos que passaram no primeiro filtro ainda enfrentarão o crivo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O órgão avaliará a necessidade do Estudo de Mínimo Custo Global (EMCG) para atestar a viabilidade técnica e econômica das conexões pretendidas.Já para as empresas e empreendimentos que não atenderam às exigências do artigo 12 do decreto, há uma nova janela: é possível reapresentar pedidos até 29 de maio de 2026 pelo sistema SGAcesso. Após essa data, as novas conexões dependerão de futuras Temporadas de Acesso previstas na PNAST, o que certamente alongará os prazos e exigirá maior planejamento das corporações. O que este cenário nos ensina? Que a verdadeira transformação digital esbarra em limites físicos. Empresas que planejam escalar operações baseadas em Inteligência Artificial e grandes volumes de dados precisam olhar além do software e entender os gargalos de infraestrutura do país. A corrida tecnológica vai ditar as regras da infraestrutura energética e dos custos de operação nos próximos anos. O futuro dos negócios passa, obrigatoriamente, pela nossa matriz elétrica. Quem não antecipar esse gargalo físico, vai travar no digital.

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