O mercado brasileiro de fusões e aquisições (M&A) registrou seu melhor primeiro trimestre em quatro anos. Foram 312 transações concluídas entre janeiro e março de 2026, crescimento de 34% sobre o mesmo período de 2025, segundo levantamento da TTR Data. O valor total das operações chegou a R$ 89 bilhões — um sinal claro de que o Brasil voltou ao radar dos grandes fundos globais.
Agro, saúde e tech lideram
Os setores com maior volume de transações foram o agronegócio (22% do total), saúde e farma (18%) e tecnologia (16%). No agro, a consolidação de tradings regionais e a verticalização de produtores continuam a dominar o cenário. Na saúde, redes hospitalares e laboratórios de diagnóstico seguem em processo de consolidação acelerado pós-pandemia.
No segmento tech, destacam-se as aquisições de fintechs menores por bancos digitais e grandes instituições financeiras em busca de capacidade tecnológica instalada — os chamados "acqui-hires".
Private equity com fome de Brasil
Fundos de private equity internacionais como Softbank, General Atlantic, Warburg Pincus e Advent International mantêm posições relevantes em empresas brasileiras e anunciaram novos aportes no trimestre. A atratividade combina câmbio favorável, valuations competitivos e mercado consumidor de 215 milhões de pessoas.
Os fundos nacionais — Vinci Partners, Patria, BTG Pactual Asset — também estiveram ativos, com ênfase em infraestrutura, energia renovável e logística.
IPOs no horizonte
Com a Selic em trajetória de estabilização, o mercado de capitais começa a respirar. A B3 tem na fila pelo menos 14 empresas em fase de análise para abertura de capital no segundo semestre de 2026 — a maioria do setor de serviços financeiros e agro. O apetite por listagem é sinal de maturidade do ecossistema empreendedor brasileiro.
O Brasil está sendo redescoberto pelo capital global. A combinação de fundamentos sólidos, mercado robusto e valuations atrativos cria uma janela que os decisores não podem ignorar.
