A espera acabou. A campanha que mobilizou milhões de brasileiros nas redes sociais — com a hashtag #NeymarNaCopa2026 chegando a mais de 18 milhões de interações só no X (antigo Twitter) e no Instagram — finalmente teve o desfecho que a torcida tanto almejava. Na tarde desta segunda-feira (18), o técnico Dorival Júnior anunciou a lista de convocados para a Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos, México e Canadá, e o nome de Neymar da Silva Santos Júnior estava lá. O rei estava de volta.
Aos 34 anos, Neymar Jr retorna ao principal palco do futebol mundial em uma condição que poucos imaginavam possível há apenas seis meses. Após uma série de lesões que comprometeram sua temporada no Al-Hilal, da Arábia Saudita, e uma operação delicada no joelho esquerdo em fevereiro deste ano, o craque travou uma batalha silenciosa contra o tempo e o próprio corpo para estar pronto para o maior torneio do planeta. E venceu.
O maior artilheiro da história da seleção brasileira
Neymar Jr não é apenas mais um nome na lista de convocados. Ele é o maior artilheiro da história da seleção brasileira, com 79 gols em 128 jogos oficiais vestindo a amarelinha. Superou Pelé no ranking de gols oficiais em setembro de 2023, durante as eliminatórias para a Copa, em uma noite histórica na Arena Castelão, em Fortaleza, contra a Bolívia.
A marca de 79 gols coloca Neymar em um patamar isolado no futebol brasileiro. O segundo colocado, Pelé, soma 77 gols oficiais — embora exista debate sobre partidas não reconhecidas pela FIFA. Ronaldo Fenômeno, com 62, e Romário, com 55, completam o topo do ranking. Mas os números de Neymar vão além da quantidade: ele também é o maior assistente da história da seleção, com 57 passes para gol, e lidera estatísticas de dribles, faltas sofridas e chances criadas.
Dados do CIES Football Observatory, centro de pesquisa suíço especializado em estatísticas do futebol, apontam que Neymar tem a maior média de gols e assistências combinadas por jogo entre todos os jogadores da seleção brasileira desde 1958: 1,06 participação direta em gol por partida, superando até mesmo Garrincha (0,98) e Pelé (0,95).
A campanha dos fãs que mudou o destino
O que torna essa convocação ainda mais emblemática é o papel decisivo da torcida brasileira. Desde março deste ano, quando surgiram os primeiros boatos de que Dorival Jr poderia deixar Neymar fora da lista final por questões físicas, os fãs do craque organizaram uma mobilização digital sem precedentes na história do esporte nacional.
A hashtag #NeymarNaCopa2026 alcançou os trending topics mundiais por 7 dias consecutivos em abril. No TikTok, vídeos de fãs mostrando momentos marcantes do jogador com a camisa do Brasil somaram mais de 340 milhões de visualizações. No Instagram, uma petição virtual organizada por um grupo de torcedores de Santos alcançou 2,3 milhões de assinaturas em menos de três semanas.
"Eu acompanhei nas redes sociais. Vi o carinho da torcida, vi as manifestações de carinho nas ruas. Isso pesou muito na minha decisão", admitiu Dorival Jr em entrevista coletiva após anunciar a lista. "Neymar é um ativo emocional dessa seleção. Sua presença eleva o nível de confiança de todos os jogadores ao redor dele. Mas claro que só isso não bastaria. Ele teve que provar dentro de campo que estava pronto. E provou."
O comprovante veio nos amistosos preparatórios de maio. Contra a Inglaterra, no Wembley, Neymar entrou no segundo tempo e deu duas assistências em 25 minutos. Contra a Argentina, no Maracanã, marcou o gol de empate em um lance de pura genialidade: drible seco em três adversários e chapa cruzada no ângulo. A torcida explodiu. O estádio inteiro cantou seu nome. A mensagem foi clara: o Brasil precisava dele.
Ouro olímpico e a obsessão pelo Mundial
A trajetória de Neymar com a camisa amarela é recheada de conquistas, mas também de uma frustração que o acompanha como sombra: a falta de uma Copa do Mundo no currículo. Ele foi medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio 2016, marcando o gol decisivo nos pênaltis contra a Alemanha na final no Maracanã — um momento que entrou para a história do esporte brasileiro e selou sua condição de herói nacional.
Já nas Copas do Mundo, o retrospecto é diferente. Em 2014, na casa, teve sua Copa interrompida brutalmente nas quartas de final contra a Colômbia, com a lesão por entrada de Zúñiga que quase o deixou paraplégico. Em 2018, na Rússia, caiu nas quartas para a Bélgica. E em 2022, no Catar, viu a Croácia eliminar o Brasil nos pênaltis nas quartas, em uma noite em que ele entrou no segundo tempo e quase mudou o jogo.
"Eu sonhei com esse momento a minha vida inteira. Desde criança, jogando nas ruas de Mogi das Cruzes, eu imaginava levantar a taça da Copa. Tive chances, sofri, chorei. Mas nunca perdi a esperança. Essa é minha última chance de fazer a história que sempre quis fazer", declarou Neymar em vídeo publicado em suas redes sociais minutos após a convocação. O vídeo teve 45 milhões de visualizações em 4 horas.
A estratégia tática de Dorival Jr para tirar o melhor de Neymar
A grande questão agora é: como Dorival Jr vai usar Neymar em campo? O técnico do Brasil tem trabalhado em um esquema tático flexível que permita ao craque atuar em seu habitat natural — flutuando entre o meio-campo e o ataque — sem sobrecarregar suas pernas com demandas defensivas excessivas.
Analistas de desempenho que acompanharam os treinos da seleção em Orlando, nos EUA, relatam que Dorival tem testado um 4-2-3-1 com Neymar como meia-atacante central, flanqueado por Vinícius Jr pela esquerda e Rodrygo pela direita, com Endrick como referência de área. O meio-campo seria protegido por Bruno Guimarães e André, permitindo que Neymar receba a bola em zonas de construção sem pressão defensiva imediata.
Dados da Opta Sports mostram que, nos últimos 15 jogos de Neymar pelo Al-Hilal antes da lesão, ele teve média de 72 toques na bola por jogo e criou 4,8 chances claras de gol por partida. Esses números são os melhores de sua carreira em clubes, mostrando que, fisicamente limitado, ele compensou com leitura de jogo e inteligência posicional — justamente as características que podem brilhar numa Copa aos 34 anos.
Impacto comercial e o valor de Neymar como marca
A convocação de Neymar não é apenas um fato esportivo. É um evento de enorme magnitude econômica. A Brand Finance, consultoria especializada em valor de marca, estimou que a presença do craque na Copa do Mundo 2026 pode movimentar até US$ 2,8 bilhões em receita indireta para patrocinadores, mídia e mercado de produtos licenciados da CBF.
No Brasil, o preço dos ingressos para os jogos da seleção nos estádios americanos já subiu 340% nas últimas 48 horas, segundo a plataforma StubHub. A camisa oficial número 10 da seleção brasileira, com o nome de Neymar nas costas, teve um aumento de 280% nas vendas online no site da Nike em apenas seis horas após a convocação.
"Neymar é o atleta mais valioso da América Latina em termos de engajamento digital. Sua presença na Copa transforma qualquer jogo do Brasil em um evento global. Patrocinadores pagam premium para estar associados a ele", afirma Ricardo Fort, especialista em marketing esportivo e ex-diretor de patrocínios do FC Barcelona.
O grupo de convocados e a missão pelo hexa
A convocação de Neymar faz parte de uma lista que mistura juventude e experiência. Além dele, Dorival Jr chamou Endrick, promessa de 19 anos do Palmeiras, Vinícius Jr, estrela do Real Madrid e atual melhor do mundo, Rodrygo, Raphinha e Savio para o ataque. No meio-campo, Bruno Guimarães, André e Paquetá completam o setor criativo.
A estreia do Brasil na Copa será no dia 12 de junho, contra Senegal, no Sofi Stadium, em Los Angeles. O Grupo G ainda inclui Portugal e a Austrália. Se passar em primeiro, o Brasil enfrentaria o segundo colocado do grupo do México, Alemanha e Coreia do Sul nas oitavas. Um caminho desafiador, mas factível.
Para Neymar, é a última oportunidade de colocar seu nome ao lado dos maiores ídolos do futebol mundial. Pelé tem três Copas. Maradona tem uma. Messi tem uma. Cristiano Ronaldo tem zero. Neymar, o maior artilheiro do Brasil, o jogador que mais vezes vestiu a amarelinha, o campeão olímpico, o ídolo de uma geração inteira, ainda precisa da taça para fechar o círculo.
"Eu voltei por amor. Amor ao Brasil, amor à torcida, amor ao futebol. Vou dar tudo que tenho. Essa é minha última dança, e eu quero dançar até o fim", escreveu Neymar no Instagram. A legenda, publicada com uma foto dele criança em Mogi das Cruzes com uma camisa de futebol improvisada, já tem 12 milhões de curtidas.
O Brasil inteiro está com ele. A Copa do Mundo 2026 pode ser, finalmente, a história que Neymar sempre quis escrever.
