O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 13,25% ao ano na reunião de março de 2026, sinalizando uma possível pausa no ciclo de aperto monetário. A decisão, amplamente esperada pelo mercado, veio acompanhada de um tom levemente mais brando nas notas do Banco Central — o que analistas interpretam como abertura para cortes ainda em 2026, dependendo do comportamento da inflação.
PIB surpreende positivamente
O IBGE divulgou crescimento de 2,1% do PIB no quarto trimestre de 2025 — acima das projeções do mercado (1,7%). O setor de serviços foi o principal motor, puxado pelo consumo das famílias, com destaque para comércio, turismo e serviços pessoais. O agronegócio manteve performance sólida, com exportações recordes de soja e proteína animal.
Para 2026, o consenso do boletim Focus do Banco Central aponta crescimento de 2,4% do PIB — modesto, mas consistente em ambiente de juro elevado.
Inflação: o principal risco
O IPCA acumula alta de 4,8% em 12 meses até fevereiro de 2026 — acima do teto da meta estabelecida pelo CMN (4,5%). Os vilões são os preços de energia elétrica (reajuste de 11,3% previsto para maio) e alimentação fora do domicílio, pressionada pelo custo dos insumos alimentares e mão de obra.
O risco fiscal também paira. O governo federal enfrenta pressão para ampliar gastos sociais em ano de eleições municipais, enquanto o mercado monitora o cumprimento do arcabouço fiscal aprovado em 2023.
Oportunidades para empresas
Neste cenário, setores com receita indexada à inflação — energia, saneamento, rodovias — seguem resilientes. Empresas exportadoras se beneficiam do câmbio depreciado (dólar acima de R$ 5,80). E o crédito, ainda que caro, começa a se expandir no segmento de PMEs via linhas do BNDES e fintechs de crédito.
Juro alto não impede crescimento quando a empresa tem modelo de negócio robusto e gestão eficiente. O diferencial competitivo em 2026 está em quem toma decisões baseadas em dados — não em intuição.