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Cadeias produtivas em mutação: o Brasil avança além da média global Um dos dados mais relevantes do estudo está na reconfiguração das cadeias de suprimentos. No Brasil, 73% dos executivos afirmam estar priorizando modelos regionais, com produção local voltada ao consumo local — percentual superior à média global de 68%. Esse movimento revela uma indústria mais consciente dos riscos logísticos, geopolíticos e de dependência externa, ao mesmo tempo em que reforça a relevância do Brasil como polo produtivo e estratégico na nova geografia da mobilidade.

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Setor automotivo brasileiro acelera rumo à transformação Tecnologia, alianças e reinvenção estratégica como pilares da próxima década da mobilidade Por Cris Aragoni O setor automotivo global — e, de forma cada vez mais contundente, o brasileiro — atravessa um ponto de inflexão histórico. Não se trata mais de ciclos convencionais de atualização de produtos ou ganhos marginais de eficiência, mas de uma reconfiguração estrutural do próprio modelo de negócio. É o que revela a 25ª edição da Global Automotive Executive Survey (GAES), conduzida pela KPMG, ao indicar que a indústria entrou definitivamente na era da reinvenção estratégica. Segundo o estudo, 36% dos executivos globais esperam uma transformação total em seus modelos de negócios, produtos ou operações até 2028. No Brasil, ainda que esse percentual seja menor — 17% —, os indicadores mostram uma indústria em movimento acelerado, sobretudo ao analisarmos investimentos em tecnologia, alianças estratégicas e a reconfiguração das cadeias produtivas. Cadeias produtivas em mutação: o Brasil avança além da média global Um dos dados mais relevantes do estudo está na reconfiguração das cadeias de suprimentos. No Brasil, 73% dos executivos afirmam estar priorizando modelos regionais, com produção local voltada ao consumo local — percentual superior à média global de 68%. Esse movimento revela uma indústria mais consciente dos riscos logísticos, geopolíticos e de dependência externa, ao mesmo tempo em que reforça a relevância do Brasil como polo produtivo e estratégico na nova geografia da mobilidade. Tecnologia como vetor de competitividade: Brasil alinhado ao mundo Outro dado emblemático: 87% dos executivos brasileiros afirmam estar investindo fortemente em Inteligência Artificial e tecnologias emergentes, número praticamente idêntico à média global de 86%. Esse alinhamento posiciona o Brasil em condição competitiva no cenário internacional, especialmente quando consideramos: Eficiência operacional Customização de produtos Otimização logística Manutenção preditiva Experiência digital do cliente A tecnologia deixa de ser suporte e passa a ser motor direto de valor e diferenciação estratégica. Alianças: o novo eixo do crescimento Se há um consenso inequívoco no estudo, ele se chama colaboração estratégica. Enquanto 77% dos executivos globais veem nas alianças o principal caminho para crescimento, no Brasil esse índice atinge expressivos 90%. Isso demonstra que as lideranças do setor compreenderam que: Não há mais espaço para protagonismos isolados na indústria automotiva. Startups, empresas de tecnologia, fornecedores especializados, operadores logísticos, fintechs e players de mobilidade urbana passam a compor ecossistemas integrados, onde escala, inovação e velocidade são construídas coletivamente. OEMs: declínio inevitável ou reinvenção possível? Aqui reside talvez o maior paradoxo estratégico da indústria. 73% dos executivos brasileiros acreditam que novos entrantes — como startups de tecnologia e empresas de mobilidade — substituirão as OEMs tradicionais até 2030. Ao mesmo tempo, 70% acreditam que os fabricantes originais podem retomar sua dominância, desde que consigam reconfigurar profundamente suas estratégias. Essa aparente contradição revela, na verdade, uma oportunidade: As OEMs não estão condenadas — mas tampouco estão garantidas. Seu futuro dependerá da capacidade real de: Dominar tecnologia Construir ecossistemas Redesenhar sua proposta de valor Abandonar modelos mentais do século XX Quem fala pela indústria brasileira O recorte Brasil da pesquisa contou com 30 executivos, representando 4% da amostra global: 23% OEMs 50% fornecedores e distribuidores 27% fabricantes de caminhões, novas tecnologias e mobilidade Quanto aos cargos: 13% CEOs e presidents 7% C-levels 80% executivos seniores Ou seja: estamos falando de uma amostra altamente qualificada, que reflete com precisão o pensamento estratégico da indústria nacional. Conclusão: o Brasil não está à margem da transformação — está dentro dela A nova edição da GAES deixa claro: O setor automotivo brasileiro não é mais um coadjuvante na transição global da mobilidade. Ele investe, se reorganiza, constrói alianças e adota tecnologia com velocidade e consciência estratégica. Os cinco Ts da KPMG configuram, na prática, um verdadeiro plano de liderança para a próxima década: Liderar a transformação Dominar a tecnologia Conquistar a confiança do cliente Navegar tensões regionais Prosperar em ecossistemas colaborativos Mais do que reagir às mudanças, as empresas que internalizarem essa lógica poderão assumir protagonismo em um novo ciclo de crescimento, no qual mobilidade, tecnologia e estratégia caminham de forma indissociável. E, como costumo afirmar: No novo jogo da indústria automotiva, não vencerá quem fabricar mais veículos — mas quem construir mais inteligência, mais alianças e mais valor.

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