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98% das Empresas Brasileiras Não Conseguem Contratar Talentos em Tecnologia: O Estudo Ford + Datafolha que Explica o Gap

Pesquisa inédita revela que falta de conhecimento técnico, ausência de experiência e deficiência em inglês são os principais gargalos. Ford <Enter> já atendeu mais de 1.000 alunos em trilhas de tecnologia desde 2022.

Cris Aragoni

Cris Aragoni

Editora-chefe — O Negócio Play

26 de abril de 2026
8 min de leitura
Publicado hoje
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Equipe diversificada de profissionais de tecnologia trabalhando em escritório moderno
Ford + Datafolha — Estudo sobre mercado de trabalho em tecnologia no Brasil | 26 de abril de 2026

O mercado de tecnologia no Brasil vive um paradoxo: há milhares de vagas abertas, mas as empresas não conseguem preenchê-las. Um estudo inédito realizado pela Ford em parceria com o Datafolha traz números que explicam — e assustam: 98% das empresas brasileiras enfrentam dificuldade para contratar talentos na área de tecnologia.

O mercado de tecnologia no Brasil vive um paradoxo: há milhares de vagas abertas, mas as empresas não conseguem preenchê-las. Um estudo inédito realizado pela Ford em parceria com o Datafolha traz números que explicam — e assustam: 98% das empresas brasileiras enfrentam dificuldade para contratar talentos na área de tecnologia.

O dado foi apresentado em um evento realizado nesta semana, com a participação de executivos da Ford, representantes do Datafolha e parceiros do ecossistema de inovação. A discussão trouxe à tona não apenas os gargalos do mercado, mas também caminhos concretos para superá-los.

Os Números que Explicam a Crise

O estudo Ford + Datafolha detalhou os principais obstáculos enfrentados pelas empresas na hora de contratar profissionais de tecnologia. Os dados revelam um cenário complexo, onde a falta de qualificação técnica é apenas a ponta do iceberg:

  • 72% das empresas apontam a falta de conhecimento técnico como o principal desafio na contratação
  • 54% citam a ausência de experiência prática como segundo maior obstáculo
  • 37%rejeitaram candidatos tecnicamente aptos por falta de habilidades comportamentais
  • 78% desclassificam candidatos que não possuem domínio do inglês
  • Apenas 14% das empresas conseguem preencher uma vaga em menos de um mês

Esses números desenham um cenário preocupante: o Brasil forma profissionais, mas não necessariamente com o perfil que o mercado demanda. A desconexão entre a formação acadêmica tradicional e as necessidades reais da indústria de tecnologia é evidente.

As Áreas Mais Escassas: Segurança, IA e Machine Learning

O estudo também mapeou quais são as competências mais difíceis de encontrar no mercado brasileiro. E o resultado não surpreende quem acompanha o setor:

Profissionais com conhecimento em Segurança da Informação, Inteligência Artificial e Machine Learning são os mais escassos — e, consequentemente, os mais valorizados. Essas são áreas que crescem exponencialmente em importância para as empresas, mas que ainda contam com um número limitado de especialistas qualificados no país.

A escassez nessas áreas específicas tem impacto direto na competitividade das empresas brasileiras. Sem profissionais de IA e Machine Learning, companhias perdem a capacidade de inovar em automação, análise preditiva e personalização de produtos. Sem especialistas em Segurança da Informação, ficam vulneráveis a ataques cibernéticos que, segundo dados da IBM, custam em média R$ 5,2 milhões por incidente no Brasil.

O Inglês como Filtro Eliminatório

Um dos dados mais impactantes do estudo é o seguinte: 78% das empresas desclassificam candidatos que não dominam o inglês. Isso significa que, mesmo que um profissional tenha excelente formação técnica, a barreira linguística pode ser suficiente para impedi-lo de conquistar uma oportunidade.

O motivo é prático: a maior parte da documentação de tecnologia, frameworks de desenvolvimento, comunidades de suporte e conteúdo de atualização profissional está em inglês. Empresas que operam com equipes globais ou que utilizam tecnologias de ponta precisam de profissionais capazes de consumir e produzir informação nesse idioma.

Esse dado também revela uma desigualdade estrutural: o acesso ao ensino de inglês de qualidade no Brasil ainda é privilegiado de quem tem condições financeiras. Profissionais de baixa renda, muitas vezes com grande potencial técnico, ficam excluídos do mercado por uma barreira que poderia ser superada com investimento em educação linguística inclusiva.

Habilidades Comportamentais: O Que Falta Além do Código

Outro dado que chama atenção: 37% das empresas já rejeitaram candidatos tecnicamente aptos por falta de habilidades comportamentais. Isso mostra que o mercado de tecnologia evoluiu — e não basta mais saber programar ou configurar redes.

As soft skills mais demandadas incluem:

  • Comunicação clara — capacidade de explicar conceitos técnicos para times não técnicos
  • Trabalho em equipe — colaboração em ambientes ágeis e multidisciplinares
  • Resiliência e adaptabilidade — lidar com mudanças constantes de tecnologia e prioridades
  • Pensamento crítico — resolver problemas complexos com criatividade
  • Gestão de tempo — entregar projetos em prazos cada vez mais curtos

A mensagem é clara: o profissional de tecnologia do futuro precisa ser híbrido. Técnico e humano ao mesmo tempo.

Ford Enter: A Resposta Concreta para o Gap de Tecnologia

Diante desse cenário, a Ford apresentou durante o evento o Ford Enter — um programa social que já atua desde 2022 como resposta concreta ao déficit de talentos tech no Brasil.

O programa oferece trilhas de formação em tecnologia para pessoas em situação de vulnerabilidade social, criando oportunidades reais de inserção no mercado de trabalho. Desde sua criação, o Ford Enter já atendeu mais de 1.000 alunos, conectando formação de qualidade com as necessidades reais do setor.

A iniciativa vai além de ensinar código. O Ford Enter trabalha com uma visão integral de desenvolvimento, incluindo:

  • Formação técnica em áreas de alta demanda: programação, dados, cloud computing
  • Desenvolvimento de habilidades comportamentais e preparação para entrevistas
  • Inglês técnico para tecnologia
  • Mentoria com profissionais experientes do mercado
  • Conexão direta com empresas parceiras para oportunidades de emprego

"A gente acredita que esse desafio vai muito além de tecnologia", destacou a Ford durante o evento. "Passa por ampliar acesso à formação, desenvolver talentos e conectar melhor as pessoas às necessidades reais do mercado."

O Caminho à Frente: Formação, Acesso e Conexão

O estudo Ford + Datafolha deixa claro que o problema do gap de tecnologia no Brasil não tem solução simples. É um desafio estrutural que exige ação coordenada de empresas, instituições de ensino, governo e sociedade civil.

Algumas direções são evidentes:

  • Reforma curricular — cursos de tecnologia precisam incluir mais prática, soft skills e inglês técnico desde o início da formação
  • Parcerias empresa-universidade — programas de estágio, mentoria e projetos reais devem ser parte do currículo, não apenas complementos
  • Programas de inclusão — iniciativas como o Ford Enter precisam ser replicadas e ampliadas, levando formação de qualidade a quem não teria acesso de outra forma
  • Certificações reconhecidas pelo mercado — o ensino formal precisa se alinhar às certificações que as empresas realmente valorizam na hora de contratar

O Brasil tem potencial para ser um polo de tecnologia na América Latina. Mas esse potencial só se transforma em realidade se conseguirmos formar — e reter — os talentos que o setor precisa.

Reportagem produzida com base na apresentação do estudo Ford + Datafolha sobre mercado de trabalho em tecnologia (26/04/2026). O O Negócio Play não mantém relação comercial com a Ford ou o Datafolha.

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