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Copa do Mundo 2026: como o maior evento esportivo do planeta vai impactar o varejo brasileiro

Com jogos nos EUA, Canadá e México a partir de junho de 2026, a Copa movimenta desde a venda de televisores e uniformes até o turismo, bares e comércio eletrônico. Veja os números e os segmentos mais aquecidos.

Redação O Negócio Play

Economia & Varejo — O Negócio Play

21 de abril de 2026
7 min de leitura
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Varejo brasileiro com produtos da Copa do Mundo 2026 — camisetas, televisores e artigos esportivos
O varejo brasileiro se prepara para um dos maiores ciclos de consumo ligados a megaeventos — Foto: editorial

A Copa do Mundo de 2026 será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México entre os dias 11 de junho e 19 de julho. Pela primeira vez na história, o torneio contará com 48 seleções e 104 partidas, o que amplia a janela de consumo e a exposição do evento para o mercado brasileiro.

Com a seleção brasileira classificada e os jogos transmitidos ao vivo nas redes abertas de televisão, o varejo nacional já se prepara para um dos maiores ciclos de consumo relacionados a megaeventos esportivos dos últimos anos.

A Projeção do Impacto Econômico

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta um impacto de R$ 8,8 bilhões no varejo brasileiro durante o período da Copa, considerando os meses de junho e julho de 2026. O dado inclui os segmentos de eletroeletrônicos, vestuário, alimentação, bares, restaurantes e e-commerce.

O levantamento considera o comportamento histórico do consumidor brasileiro em Copas anteriores, com ajuste pelo cenário atual de crédito, renda e confiança do consumidor. A pesquisa aponta que 61% dos brasileiros pretendem realizar ao menos uma compra motivada pela Copa — seja um novo televisor, uniforme da seleção, itens de decoração ou alimentos para assistir aos jogos em casa.

Eletroeletrônicos: O Segmento Mais Aquecido

Historicamente, as Copas do Mundo são o principal catalisador de vendas de televisores no Brasil. A Copa de 2014 (realizada no país) e a de 2022 (Qatar) geraram saltos expressivos no setor.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (ABINEE), a projeção para 2026 é de crescimento de 38% nas vendas de televisores nos meses de junho e julho em relação à média dos meses anteriores. Os modelos mais procurados tendem a ser os de telas maiores (a partir de 55 polegadas), com tecnologia 4K e compatibilidade com streaming.

Além dos televisores, o segmento de barras de som, projetores domésticos e acessórios audiovisuais também registra aquecimento típico nesse período.

Vestuário Esportivo

A camisa oficial da Seleção Brasileira é, tradicionalmente, o produto símbolo do consumo durante a Copa. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT) estima que a Nike, detentora do contrato de fornecimento com a CBF, produza entre 4 e 5 milhões de unidades da camisa oficial para o mercado brasileiro — entre versões torcedor e jogador.

Além da camisa, o segmento de vestuário esportivo em geral — chuteiras, meias, shorts e produtos de outras seleções que contam com torcedores no Brasil — também registra crescimento expressivo. A Fecomercio-SP aponta que o ticket médio de compra de vestuário esportivo durante Copas é 2,3 vezes maior do que em meses regulares.

Alimentação, Bares e Restaurantes

O setor de food service é um dos mais beneficiados por eventos esportivos transmitidos ao vivo. Durante a Copa do Qatar (2022), o setor de bares e restaurantes registrou crescimento médio de 22% no faturamento nos dias de jogo do Brasil, segundo dados da Associação Nacional de Restaurantes (ANR).

Para 2026, com a Copa nos fusos horários da América do Norte, os jogos da fase de grupos tendem a ocorrer entre 12h e 21h no horário de Brasília — janela que favorece tanto o consumo em estabelecimentos durante o almoço e jantar quanto as compras para reuniões em casa.

Supermercados, conveniências e o setor de bebidas também esperam aumento de vendas em itens de churrasco, snacks, cervejas e refrigerantes nos períodos de jogo.

E-commerce e Marketplaces

O comércio eletrônico brasileiro deverá registrar um pico de vendas nos segmentos relacionados à Copa, especialmente entre abril e junho de 2026 — período de pré-evento. Segundo dados históricos da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), as vendas de produtos temáticos em marketplaces aumentam de forma expressiva nas quatro semanas que antecedem o início do torneio.

Os itens mais buscados incluem:

  • Televisores e acessórios audiovisuais
  • Camisetas e uniformes esportivos
  • Itens de decoração verde e amarelo
  • Mesas de plástico, cadeiras e itens para área externa
  • Caixas de som portáteis e itens de som ambiente

Turismo: Brasileiros no Exterior

Diferentemente da Copa de 2014, realizada em solo brasileiro, a edição de 2026 representa uma oportunidade para o turismo de saída. A Associação Brasileira das Agências de Viagens (ABAV) registrou crescimento nas buscas por pacotes para os EUA, Canadá e México a partir de 2025, com Los Angeles, Nova York, Dallas, Vancouver e Cidade do México como destinos mais procurados por torcedores brasileiros.

O perfil do torcedor que viajará é predominantemente das classes A e B, com gastos estimados entre R$ 15 mil e R$ 60 mil por pessoa (passagem, hospedagem, ingressos e consumo local), segundo a pesquisa da Fecomercio-SP.

Pontos de Atenção para o Varejo

Apesar das perspectivas positivas, economistas e especialistas do setor apontam algumas variáveis que podem limitar o impacto:

  • Calendário de jogos do Brasil: O aquecimento do consumo é diretamente proporcional ao avanço da seleção. Eliminações precoces reduzem o pico de consumo
  • Nível de crédito e endividamento: O comprometimento de renda das famílias brasileiras com dívidas pode limitar compras de alto valor, como televisores
  • Dólar e preços de importados: Televisores e eletrônicos com componentes importados ficam mais caros quando o real se desvaloriza frente ao dólar
  • Fusos e horários dos jogos: Partidas no meio da madrugada (horário de Brasília) reduzem o consumo em bares e restaurantes naquele dia específico

O Contexto da Expansão do Torneio

A Copa de 2026 será a maior da história em número de seleções (48) e jogos (104). Para o varejo, o impacto se estende por mais semanas do que nas edições anteriores, com mais seleções representadas e maior diversidade de mercados consumidores ativos simultaneamente.

O Brasil pode disputar até 7 partidas se chegar à final — o que, historicamente, representa um multiplicador para o consumo em cada fase eliminatória superada.

Esta matéria é de caráter estritamente informativo, com base em dados de entidades setoriais e pesquisas de mercado. O O Negócio Play não emite recomendações de compra ou venda, nem posicionamento editorial sobre marcas mencionadas.

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