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Por falar em BRICS, o Brasil ficou para trás — e agora? O Futuro do Brasil em Perspectiva

Em 2025, o Brasil se encontra em uma contradição complexa: estamos entre as dez maiores economias do mundo, mas avançamos pouco em produtividade, complexidade exportadora e intensidade tecnológica — aspectos fundamentais para a nova economia. Enquanto nossos pares dos BRICS, especialmente China e Índia, transformaram ciência, tecnologia e inovação em pilares de suas estratégias de desenvolvimento, o Brasil permanece refém de políticas que priorizam o curto prazo e a expansão do consumo por meio de transferências.

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Em 2025, o Brasil se encontra em uma contradição complexa: estamos entre as dez maiores economias do mundo, mas avançamos pouco em produtividade, complexidade exportadora e intensidade tecnológica — aspectos fundamentais para a nova economia. Enquanto nossos pares dos BRICS, especialmente China e Índia, transformaram ciência, tecnologia e inovação em pilares de suas estratégias de desenvolvimento, o Brasil permanece refém de políticas que priorizam o curto prazo e a expansão do consumo por meio de transferências. O espaço fiscal insuficiente para investimentos em pesquisa, desenvolvimento (P&D) e infraestrutura tem sido um entrave significativo. Com um modelo de crescimento que se baseia na expansão do Estado e no assistencialismo, o Brasil perdeu a oportunidade de se consolidar como uma potência econômica global. Essa abordagem não apenas limita o potencial de inovação, mas também cria um ambiente que desencoraja o empreendedorismo e a competitividade. O resultado é uma nação de imenso potencial, mas que permanece refém de escolhas equivocadas e de uma visão míope sobre seu futuro. Em 2022, a China formou 1,5 milhão de engenheiros e a Índia cerca de 800 mil, enquanto o Brasil não ultrapassou 50 mil formados. A discrepância é colossal e compromete a capacidade nacional de competir em setores de alta tecnologia. No PISA 2018, o Brasil ocupou a 70ª posição em Matemática e a 63ª em Ciências, distante das economias asiáticas que dominaram os primeiros lugares. Essa defasagem se traduz em perda direta de competitividade. Não por acaso, enquanto China e Índia se tornaram protagonistas da revolução tecnológica global, o Brasil permanece importador líquido de inovação e dependente de commodities para sustentar sua balança comercial. A economia que ficou para trás No início dos anos 2000, a economia brasileira era superior à da China e da Índia em termos de PIB absoluto e per capita. Duas décadas depois, o cenário é o oposto: O PIB per capita brasileiro em 2023 mal superou US$ 8.500, enquanto a China atingiu US$ 12.500 e a Índia, mesmo com seus desafios sociais, alcançou US$ 7.500 em trajetória ascendente. Entre 2000 e 2020, o Brasil registrou crescimento médio de apenas 1,5% ao ano, em contraste com os 6% da China e os 5% da Índia. A consequência é que, dentro dos BRICS, bloco que nasceu com expectativa de liderança compartilhada, O custo das escolhas políticas A insistência em políticas públicas de caráter populista e assistencialista — necessárias em situações emergenciais, mas insustentáveis como estratégia de desenvolvimento — minou a capacidade de investimento em infraestrutura, inovação e produtividade. Enquanto países como Vietnã, Indonésia e Coreia do Sul desenharam políticas industriais integradas ao mercado global, o Brasil seguiu na contramão, com carga tributária excessiva, burocracia sufocante e uma das legislações trabalhistas menos competitivas do mundo. Não surpreende que, segundo o Relatório de Competitividade Global do Fórum Econômico Mundial (2020), o Brasil tenha ocupado a 71ª posição entre 141 países, atrás de nações menores e com recursos incomparavelmente mais limitados. O quadro em números: onde estamos perdendo tração Conteúdo do artigo Capital humano e aprendizagem — O PISA 2022 colocou o Brasil na faixa inferior do ranking em Matemática e Ciências, com desempenho estável/baixo e grande proporção de estudantes abaixo do nível básico. Isso limita a formação de engenheiros e técnicos e cria um gargalo estrutural de produtividade. LAVCA Intensidade em P&D — A China elevou o esforço nacional para ≈2,6% do PIB; a Índia opera perto de 0,65%; o Brasil, em torno de 1,2% (com sinais de contração recente). Essa diferença acumulada por uma década explica boa parte do “efeito bola de neve” em inovação. Estatísticas do Governo da Chinanstmis-dst.orgWorld Bank Open Data Patentes e inovação aplicada — A OMPI mostra expansão robusta de pedidos globais nos últimos anos e liderança asiática; o Brasil avança, mas em base muito menor (cerca de 27–28 mil pedidos totais/ano no INPI, com 30% de residentes; ~2,2 mil pedidos PCT em 2023). A escala importa para difusão tecnológica e “learning by doing”. WIPOmontaury.com.brPatentPC Venture capital e ecossistemas — O fluxo de VC na América Latina desacelerou forte em 2023 e só começou a reagir em 2024–25; Brasil segue o ciclo regional, perdendo fôlego em rodadas growth que impulsionam deep tech e industrial tech. World Bank Open Data Abertura e sofisticação comercial — O grau de abertura (comércio/PIB) do Brasil permanece baixo para padrões de emergentes, o que restringe competição e difusão tecnológica; a China opera com maior integração e a Índia vem ampliando serviços e manufaturas transacionáveis. World Bank Open Data+2World Bank Open Data+2 Complexidade econômica — Nos indicadores do Growth Lab/Harvard, o Brasil recuou posições ao longo da década, refletindo a concentração em commodities e a erosão do conteúdo tecnológico médio das exportações. atlas.hks.harvard.edu PIB per capita — Em 2003 o Brasil tinha renda per capita superior à da China; hoje o quadro se inverteu: China ~US$ 13,3 mil (2024), Brasil ~US$ 10,3 mil (2024); a Índia avança, ainda abaixo, mas com crescimento mais acelerado. RCR Wireless NewsBlog TeleGeography Infraestrutura digital e 5G — A China implantou dezenas de milhões de estações 5G e cobertura industrial ampla; Índia acelerou a partir de 2022 com rollout nacional; o Brasil avança, porém com heterogeneidade regional e menor densidade por km² — crucial para manufatura avançada e agronegócio de precisão. Blog TeleGeographyRCR Wireless NewsThe Economic Times Conteúdo do artigo Síntese: nossos pares investem “pesado e cedo” nos vetores da nova economia — P&D, talento STEM, abertura e digitalização de infraestrutura. Nós seguimos investindo pouco, de forma errática e tardia. Conteúdo do artigo Os BRICS nasceram como promessa de convergência. Duas décadas depois, a realidade é outra: China e Índia capitalizaram a janela da globalização tecnológica; o Brasil, não. P&D/PIB: China ≈2,6%; Índia ~0,65%; Brasil ~1,2%. Diferença que se acumula ano a ano em estoque de conhecimento e capacidade de escalar tecnologia. Estatísticas do Governo da China nstmis-dst.org World Bank Open Data Exportações e abertura: maior exposição ao comércio correlaciona-se com produtividade setorial; permanecemos menos integrados. World Bank Open Data+1 Infraestrutura digital: o 5G industrial e redes de dados de alta densidade viraram “insumo básico” de competitividade. A diferença de escala é hoje uma desvantagem real para manufatura avançada, saúde digital e logística. RCR Wireless NewsBlog TeleGeography O que fazer já: uma virada pró-investimento, pró-tecnologia e pró-empreendedor A agenda a seguir deverá ser pragmática, fiscalmente responsável e orientada a resultados. Mais importante: mede-se mês a mês. Conclusão: escolher o futuro O Brasil não precisa escolher entre proteção social e crescimento baseado em inovação. Precisa, isso sim, equilibrar a proteção de hoje com o investimento que gera empregos e renda amanhã. A evidência é clara: países que ancoraram sua estratégia em tecnologia, talento e abertura ganharam velocidade. Se quisermos retomar a convergência dentro dos BRICS, o caminho passa por mais investimento produtivo, mais P&D, mais competição e melhor educação. É uma escolha de país — e começa já, com metas públicas, governança e execução.

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